Devíamos chamar o País e o Mundo à razão para que vários lugares deixem de ser esquecidos no espaço e no tempo, pois é um desafio. Ganharão com isso todos os que visitarem qualquer cidade ou aldeia da Região do Douro, querendo admirar e tocar de perto uma paisagem e uma realidade que enchem a alma. Razões acrescidas terão sobretudo todos aqueles que, dispensando o roteiro das nossas palavras, se disponham a fazer sua a nossa casa e nela se encontram, num comum encontro da vida.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Quinta do Noval ( Pinhão )
Uma das mais conhecidas e prestigiadas quintas do universo do vinho do Porto. Referenciada no longínquo ano de 1715, o Noval sofreu as durezas impostas pelo oídio e pela filoxera, na Segunda metade do século XIX. Sobrou do flagelo, contudo, a vinha «nacional», anterior à utilização de porta-enxertos americanos, que se tornaria famosa pela produção de «vintage» . Comprada por Rabello Valente, em 1829, o Noval passou para as mãos de António da Silva Júnior em meados do século. Em 1923 chegou por herança à família Van Zeller, também proprietária da Quinta de Roriz. Mais recentemente, em 1993, a Quinta do Noval foi vendida aos franceses da Axa Milésimes. Situada na estrada que liga o Pinhão a Alijó, cerca de um quilómetro antes de Vale de Mendiz, a Quinta do Noval distingue-se pela beleza dos seus erraços. A casa da Quinta, com armazém, cardanho e lagares, que continuam a ser utilizados, é uma das expressões mais perfeitas da Quinta típica do Douro.
Pinhão
O Pinhão é hoje freguesia do concelho de Alijó, situado na margem direita do Rio Douro, ocupando uma área de cerca de 300 hectares, tendo como freguesias limítrofes Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas, Casal de Loivos, Valença do Douro, Covas do Douro, São Cristóvão do Douro, Gouvães do Douro e Ervedosa do Douro. O Pinhão dista de 17 km da sede de concelho e 38 km da sede de distrito, Vila Real.
O topónimo desta freguesia justifica-se pelo facto de aí se encontrar a foz do Rio Pinhão, afluente do Douro. O rio Pinhão nasce na aldeia de Raiz do Monte, na freguesia de Mina de Jales, atravessando, depois, diversas localidades como Souto Escarão, Pinhão Cel, Balsa, Torre de Pinhão, Parada de Pinhão, Cheires, Vale de Mendiz, São Cristóvão, desaguando no Pinhão.
Trata-se de uma território pequeno na confluência com os rios Douro e Pinhão no extremo sul do distrito de Vila Real, em contacto com o de Viseu. A reduzida área advém do processo de formação ocorrido em menos de setenta anos.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Alijó
Delimitado geograficamente pelos rios Douro, Tua, Tinhela e Pinhão e pelas “montanhas transmontanas”, com uma área aproximadamente de 300 Km 2, encontra-se o concelho de Alijó que pertence ao distrito de Vila Real.
Historicamente implantado num eixo que terá servido de fronteira em permanentes mutações, só a partir do primeiro quartel do século XII (ano de 1225) é que D. Sancho II mandou povoar Alijó, que se encontrava até então abandonada. Deu-lhe carta de foral em Abril de 1226.
D. Afonso III concede nova carta de foral, dia 15 de Novembro de 1269, em Santarém.
Já no século XVI, D. Manuel I cria novamente carta de foral, dia 10 de Julho de 1514 (em Lisboa).
A ocupação ordenada do território, acontece a partir dos séculos XII e XIII, tendo nessa altura sido atraídos vários representantes da nobreza e da alta burguesia como os Távoras (sendo este o caso do Marquês de Távora, primeiro donatário de Alijó e seus termos).
Ficaram os Marqueses de Távora senhores donatários deste concelho durante as dinastias Joanina, Filipina e parte da Brigantina até ao reinado de El-Rei D. José. Só em pleno consulado pombalino é que se assiste à execução dos Távoras (por suspeita de envolvimento na tentativa de assassinato do rei D. José I).
Tanto hoje como no passado o clima, a situação geográfica e o magnífico património natural e arqueológico impuseram-se como factores de atracção. O concelho de Alijó é assim detentor dos mais belos solares, igrejas, capelas e casas senhoriais distribuídas pelas diversas freguesias.
O concelho de Alijó apresenta um carácter rural, inserido na Região Demarcada do Douro. Alijó é um concelho que vive essencialmente da agricultura e do pequeno comércio. A cultura vitivinícola - cultura dos vinhos finos ou generosos e de mesa, praticada essencialmente nas terras junto aos rios que delimitam o concelho (principal suporte económico). Contribuem também para o sustento das gentes locais a prática da pastorícia (em lameiros) e os soutos (nas terras mais altas).
No concelho de Alijó, a beleza é omnipresente e marcada por duas zonas distintas: a zona Norte agreste, rica na cultura do azeite, cereais, leguminosas, batata e amendoais e a zona Sul tipicamente duriense , repleta de vinhedos em socalcos e paisagens verdejantes.
Historicamente implantado num eixo que terá servido de fronteira em permanentes mutações, só a partir do primeiro quartel do século XII (ano de 1225) é que D. Sancho II mandou povoar Alijó, que se encontrava até então abandonada. Deu-lhe carta de foral em Abril de 1226.
D. Afonso III concede nova carta de foral, dia 15 de Novembro de 1269, em Santarém.
Já no século XVI, D. Manuel I cria novamente carta de foral, dia 10 de Julho de 1514 (em Lisboa).
A ocupação ordenada do território, acontece a partir dos séculos XII e XIII, tendo nessa altura sido atraídos vários representantes da nobreza e da alta burguesia como os Távoras (sendo este o caso do Marquês de Távora, primeiro donatário de Alijó e seus termos).
Ficaram os Marqueses de Távora senhores donatários deste concelho durante as dinastias Joanina, Filipina e parte da Brigantina até ao reinado de El-Rei D. José. Só em pleno consulado pombalino é que se assiste à execução dos Távoras (por suspeita de envolvimento na tentativa de assassinato do rei D. José I).
Tanto hoje como no passado o clima, a situação geográfica e o magnífico património natural e arqueológico impuseram-se como factores de atracção. O concelho de Alijó é assim detentor dos mais belos solares, igrejas, capelas e casas senhoriais distribuídas pelas diversas freguesias.
O concelho de Alijó apresenta um carácter rural, inserido na Região Demarcada do Douro. Alijó é um concelho que vive essencialmente da agricultura e do pequeno comércio. A cultura vitivinícola - cultura dos vinhos finos ou generosos e de mesa, praticada essencialmente nas terras junto aos rios que delimitam o concelho (principal suporte económico). Contribuem também para o sustento das gentes locais a prática da pastorícia (em lameiros) e os soutos (nas terras mais altas).
No concelho de Alijó, a beleza é omnipresente e marcada por duas zonas distintas: a zona Norte agreste, rica na cultura do azeite, cereais, leguminosas, batata e amendoais e a zona Sul tipicamente duriense , repleta de vinhedos em socalcos e paisagens verdejantes.
terça-feira, 1 de março de 2011
A Lenda dos Três Rios
Há muito, muito tempo, quando o mundo era ainda uma criança e até as pedras falavam, três irmãos pequeninos - Guadiana, Tejo e Douro -, que viviam com a sua amiga Gaivota, deitaram-se pela última vez nos seus berços, dispostos a dormir. Sentiam-se já crescidos e com força suficiente para correr mundo. Por isso, haviam combinado que, mal acordassem, abalariam por caminhos diferentes.
Felizes por serem já uns homenzinhos, tristes por se separarem de vez, os três irmãos acabaram por adormecer. Dos olhos da Gaivota, porém, caíam uns fiozinhos de água...
Ancioso, o Guadiana foi o primeiro a levantar-se, e lá foi a serpentear com muita calma entre vales frondosos do Alentejo e as suaves planuras algarvias.
O Tejo acordou de seguida e apressou a marcha. Sem escolher caminhos, rasgou montes e vales, até encontrar vastas campinas e fartas lezírias, onde se espreguiçou à vontade.
Dorminhoco, o Douro, acordou tarde. Não vendo os irmãos, cortou caminho, cavando o seu leito entre muralhas de pedra e desfiladeiros apertados do Norte, precipitando-se rapidamente em direcção ao mar.
Os três irmãos nunca mais se encontraram, mas, dizem os mais velhos e os mais sábios que, à noitinha, uma certa gaivota voa de norte a sul, de sul a norte, sem nunca se cansar...
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| Guadiana |
Vinho do Porto

O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal a cerca de 100 km a leste do Porto. Régua e Pinhão são os principais centros de produção, mas algumas das melhores vinhas ficam na zona mais a leste.Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "Vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade.
A "descoberta" do Vinho do Porto é polémica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. A empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.
O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 18 e 22º de álcool).
Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Viagens de Barco na Régua
Barragem da Régua
A Barragem da Régua está localizada no distrito de Vila Real, na bacia hidrográfica do Douro, no rio Douro, em Portugal. A construção foi finalizada em 1973.
Possui uma altura de 41 m acima da fundação e um comprimento de coroamento de 350 m. A capacidade instalada de produção de energia eléctrica é de 180 MW.
A barragem inclui no encontro esquerdo uma eclusa do canal de navegação do Douro, com um comprimento de cerca de 90 m e uma largura de 12,1 m, que vence um desnível máximo de 28,5 m.A Barragem no rio Douro enquadrada pela imponente paisagem de vinhedos em anfiteatro. As espécies piscícolas mais comuns são o barbo, a boga, a carpa (vulgo robalo) e o escalo (também conhecido por robalinho). Possui praia fluvial, cais e rampas de acesso. É permitida a prática de natação e a utilização de barcos a motor.
Possui uma altura de 41 m acima da fundação e um comprimento de coroamento de 350 m. A capacidade instalada de produção de energia eléctrica é de 180 MW.
A barragem inclui no encontro esquerdo uma eclusa do canal de navegação do Douro, com um comprimento de cerca de 90 m e uma largura de 12,1 m, que vence um desnível máximo de 28,5 m.A Barragem no rio Douro enquadrada pela imponente paisagem de vinhedos em anfiteatro. As espécies piscícolas mais comuns são o barbo, a boga, a carpa (vulgo robalo) e o escalo (também conhecido por robalinho). Possui praia fluvial, cais e rampas de acesso. É permitida a prática de natação e a utilização de barcos a motor.
Viagens de Comboio
Mas se a viagem quase poderia ser um fim em si mesmo, na Régua há muito para ver e apreciar. Uma boa parte do crescimento da cidade foi determinado pela produção e distribuição do Vinho do Porto e essas marcas estão bem patentes, quer nos cais e armazéns ribeirinhos, quer na interessante arquitectura da Casa do Douro. Depois, são as festas anuais e sua animação, desde a véspera de Santo António na sede do concelho, à celebrada festividade dedicada a Nossa Senhora do Socorro pelo 15 de Agosto. Sem esquecer a gastronomia, generosa e pujante, como, por exemplo, Miguel Torga a descreveu. E a toda a volta uma natureza transformada pelo homem mas grandiosa e empolgante no espectáculo dos vinhedos a treparem encosta acima, enchendo o horizonte de cores tão diversas como a sucessão dos dias do ano.
Comboio Histórico
O comboio histórico já se tornou num cartaz turístico da região duriense permitindo aos turistas verem os painéis de azulejos da estação do Pinhão, retratando a vida das gentes do Douro.
Os comboios a vapor tiveram uma importância histórica determinante para o desenvolvimento da região do Douro, nomeadamente no escoamento do Vinho do Porto e na comunicação entre as localidades durienses.
Os comboios a vapor tiveram uma importância histórica determinante para o desenvolvimento da região do Douro, nomeadamente no escoamento do Vinho do Porto e na comunicação entre as localidades durienses.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Biblioteca Municipal do Peso da Régua
A palavra biblioteca tem sua origem nos termos gregos biblío (livro) e teca (caixa), significando a caixa ou casa de livros, um local onde os livros seriam colocados, de forma organizada, para consultas e leitura. 
A maior biblioteca da Antiguidade foi construída no século IV antes de Cristo em Alexandria, no Egipto, por Alexandre, o Grande (ver figura). Nela, foram reunidos 60 mil volumes, manuscritos em folhas de papiro (planta própria de terrenos inundados, a partir da qual os antigos Egípcios faziam folhas finas para escrever) ou em pergaminhos (peles de carneiro, cabra, ovelha ou cordeiro, preparadas para servir como material de escrita), com textos de literatura grega, egípcia, assíria e babilónica. Essa fantástica colecção foi destruída em 640 depois de Cristo, quando os árabes conquistaram Alexandria.
Durante a Idade Média, a Europa Ocidental esteve sob o domínio cultural da Igreja Católica. Por essa razão, as bibliotecas ficaram restritas aos mosteiros. A Igreja monopolizou a comunicação escrita: a cópia e iluminação (desenhos pintados) de manuscritos, era feita sobretudo em mosteiros e conventos. Mais tarde, durante o Renascimento (período de Renovação artística, literária e científica, situado entre os séculos XIV e XV, e que, se realizou no plano estético, como pintura, escultura e arquitectura, tendo em conta os modelos da cultura clássica greco-romana) duas forças impulsionaram o desenvolvimento de bibliotecas. De um lado, as universidades criaram as primeiras bibliotecas públicas, destinadas principalmente ao uso de professores e alunos. De outro, nobres e sábios, ou simplesmente coleccionadores apaixonados de manuscritos, deram grande impulso à criação de bibliotecas privadas, que aumentaram em número e qualidade durante os séculos XIV e XV.

A maior biblioteca da Antiguidade foi construída no século IV antes de Cristo em Alexandria, no Egipto, por Alexandre, o Grande (ver figura). Nela, foram reunidos 60 mil volumes, manuscritos em folhas de papiro (planta própria de terrenos inundados, a partir da qual os antigos Egípcios faziam folhas finas para escrever) ou em pergaminhos (peles de carneiro, cabra, ovelha ou cordeiro, preparadas para servir como material de escrita), com textos de literatura grega, egípcia, assíria e babilónica. Essa fantástica colecção foi destruída em 640 depois de Cristo, quando os árabes conquistaram Alexandria.
Durante a Idade Média, a Europa Ocidental esteve sob o domínio cultural da Igreja Católica. Por essa razão, as bibliotecas ficaram restritas aos mosteiros. A Igreja monopolizou a comunicação escrita: a cópia e iluminação (desenhos pintados) de manuscritos, era feita sobretudo em mosteiros e conventos. Mais tarde, durante o Renascimento (período de Renovação artística, literária e científica, situado entre os séculos XIV e XV, e que, se realizou no plano estético, como pintura, escultura e arquitectura, tendo em conta os modelos da cultura clássica greco-romana) duas forças impulsionaram o desenvolvimento de bibliotecas. De um lado, as universidades criaram as primeiras bibliotecas públicas, destinadas principalmente ao uso de professores e alunos. De outro, nobres e sábios, ou simplesmente coleccionadores apaixonados de manuscritos, deram grande impulso à criação de bibliotecas privadas, que aumentaram em número e qualidade durante os séculos XIV e XV. Contudo, escrever à mão era um processo lento e trabalhoso, tanto para elaborar o original de uma obra como para reproduzi-la. A reprodução de um número razoável de cópias era mesmo um trabalho para uma vida e a população do mundo aumentava assim como o número de alfabetizados e leitores. Dada esta situação, já há bastante tempo algumas pessoas habilidosas vinham tentando encontrar um meio rápido e eficaz para gravar a escrita. Os primeiros caracteres móveis inventados com esse fim eram de argila.
Foi apenas no século XV que o alemão Johann Gutenberg iventou a prensa, uma sofisticada máquina constituída por um molde de metal, com as diversas letras, sinais de pontuação e todos os outros caracteres usados na escrita manual, uma espécie de alavanca.prensa e uma tina de tinta. Esses caracteres podiam ser reagrupados para imprimir textos diferentes. Por essa razão, Gutenberg ficou conhecido como o "Pai da Imprensa". O primeiro livro impresso por Gutenberg - a célebre "Bíblia de 42 linhas", em tipos góticos - é o marco histórico dessa revolução que significou a possibilidade de produzir livros em escala industrial e, automaticamente, para um número quase ilimitado de leitores.
Graças a esta extraordinária invenção, foi possível imprimir uma série de livros e torná-los acessíveis a toda a gente, espalhando assim a cultura e o saber por todo o mundo.
Rebuçados da Régua
“Olha o rebuçado da Régua, levem rebuçados da Régua!” Quem chega à Régua de comboio é saudado desta forma pelas Rebuçadeiras que de bata e lenço brancos vão vendendo rebuçados no largo e na estação da CP. Na década de 40, vendiam rebuçados da Régua, três pacotes, 5$00.Os Rebuçados da Régua começaram por ser vendidos nas festas locais e das redondezas. Nessa altura, destacavam-se dois vendedores: o “Prosa” e o “Cândido Rebuçadeiro”. Actualmente, os Rebuçados fazem parte da identidade de Peso da Régua, elementos de uma tradição que se tem mantido viva ao longo das gerações. Cada Rebuçadeira confecciona os rebuçados de um modo muito próprio.
No entanto, para quem quiser aprender, aqui fica a sugestão: depois de o açúcar em ponto, com duas cascas de limão, ter passado para a pedra mármore, untada com margarina e daí para o plástico esticado da mesa, ainda a ferver, as mãos vão cortando os rebuçados um a um, rápida e habilmente, para depois os embrulhar em forma de laçarotes.
Festas e costumes desta região :D
Festa de Nossa Senhora do Socorro
O ritmo da Régua é marcado pela religiosidade das suas tradições. Por isso, se a visita à Régua se fizer no mês de Agosto, sugere-se a participação na alegria colectiva que marca a celebração da festa em honra de Nossa Senhora do Socorro, nos dias 14, 15 e 16.
A festa em honra de Nossa Senhora do Socorro é uma herança cultural antiga, momentos que põem à prova o carácter de um povo e de uma Nação. Na altura da Procissão do Triunfo, a cidade ganha vestes iluminadas e os crentes montam altares de rua.
A vida quotidiana tem deixado intocado o carácter dos reguenses, ficando bem patente a sua devoção para com a Nossa Senhora do Socorro.
As raízes desta devoção mergulham no rio Douro quando neste navegavam os barcos rabelos, que eram baptizados com nomes ou frases religiosas, em busca de protecção divina, contra os vários perigos com que se confrontavam. Quando eram lançados à água prendiam à proa flores de papel e à popa um ramo de oliveira com azeitonas. Diziam eles que era para dar sorte. Debaixo da ponte de comando colocavam uma caixa de esmolas, as “Alminhas do Barco”, para depositarem as promessas feitas em momentos de aflição. Quando a noite descia, os marinheiros, ancorados nas margens, rezavam o terço e suplicavam em coro: “Senhora do Socorro... vieste para a Régua para pores teus pés sobre as águas do Douro; Tua mão, agarrada à espadela, guiando o nosso rabelo”.
História desta maravilhosa cidade !
O facto de, na opinião de alguns historiadores, Peso da Régua ter sido habitada durante as invasões romanas e bárbaras, deu origem ao nome Vila Regula - casa romana de campo, soterrada em lugar da cidade. Outros, porém, defendem a hipótese de derivar de “récua”, devido aos ajuntamentos de récuas ou cavalgaduras que passavam o rio Douro. Uma terceira teoria, sustenta a derivação de “reguengo”, designação atribuída às terras dos reis.
Peso da Régua pode ainda ter origem no termo “regra”, aludindo ao direito que podia ser herdado de ascendentes ou conferido a descendentes através de um foral. Esta teoria baseia-se na doação de terras feita pelo Conde D. Henrique a D. Hugo, em 1093, que por sua vez as doou a D. Egas Moniz. Seria, portanto, esta “regra” a dar origem à palavra Régoa, mais tarde Régua. Em relação à proveniência do nome Peso existem duas correntes de opinião: a primeira defende a hipótese de derivar do lugar onde as mercadorias eram pesadas e cobrados os impostos; a segunda explica a probabilidade de o nome ter evoluído a partir de um lugar onde os animais de transporte eram alimentados ou pensados, o “Penso”.
Esta parte da actual cidade é antiquíssima. A ela se referiu o foral que D. Sancho I, que concedeu ao lugar de Godim, porque lhe deu a sua herdade do monte Argemundais com seus termos declarados, requerida em 1797 pelo Marquês de Abrantes, D. Pedro de Lencastre Almeida Sá e Meneses e passada na Torre do Tombo, do livro que serviu de registo na chancelaria de D. Afonso III.
A Régua é uma cidade moderna, que apenas conheceu a sua condição de concelho após a época pombalina, no ano de 1836. Toda a importância reconhecida se inicia por culpa e graça da criação, na Régoa, da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, pelo Marquês de Pombal em 1756. Tendo mandado delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito – Marcos de Feitoria – determinando assim as áreas de produção dos melhores vinhos, Portugal criava no Douro a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. A partir daí, e por via do comércio e sua centralização local, a Régoa passou a ser o centro da Região, o local onde todos chegavam e de onde tudo partia.
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